– «Que sinal nos dás?» – «Tu és ca’paz!»
Queridos amigos, o mês foi intenso! Neste artigo conto-vos o Jubileu Paroquial da Esperança e a Missão QSND.
Na sequência deste ano de Jubileu da Esperança, agendámos o Jubileu Paroquial para os dias 25-26 outubro, com o propósito de envolver toda a comunidade paroquial… e não só. Tivemos visita a Lisboa para celebrar com o nosso Patriarca a Festa da Dedicação da Sé. De tarde, tivemos de adiar o Gesto pela Paz para 8 novembro e lanchámos com as famílias das crianças do 1º ano da catequese, seguindo-se a Missa da Festa do Acolhimento. Essas crianças são fonte de esperança! De noite, tivemos conferência à volta do tema da Esperança, com vários oradores convidados: o Professor João César das Neves, o jornalista Joaquim Franco e a nossa vizinha escritora Alice Vieira. Recordámos que somos chamados a ser profetas da Esperança, em quaisquer circunstâncias adversas. A Esperança é dom de Deus, é futuro, tendo elementos operativos que se manifestam no presente, na misericórdia e na vida em comunidade. No Domingo recebemos a visita do Cardeal D. Manuel Clemente para nos confirmar na fé e na esperança e celebrámos a Missa de reabertura da igreja de Nossa Senhora do Ó, depois de 18 meses de obras de restauro. Aprendemos com a nossa padroeira Nossa Senhora do Ó a esperar pacientemente a conclusão dessas obras e tivemos oportunidade de relembrar que não se trata apenas de um restauro da igreja, mas de um restauro de toda a comunidade! Como dizia um padre amigo, «fizemos o que devíamos… agora devemos o que fizemos» e aproveito a agradecer a generosidade de muitos paroquianos ao longo destes meses e todo o empenho na organização do almoço de festa e de angariação de fundos no Centro Associativo da Carvoeira.
Depois, na semana de 3 a 9 novembro, decorreu uma semana de Missão em toda a diocese de Lisboa. Correspondendo ao pedido e desafio do Patriarca de Lisboa D. Rui Valério, os padres da vigararia de Mafra elegeram os alunos das escolas secundárias do nosso concelho como destinatários e também protagonistas dessa semana de Jubileu da Missão. Identificadas as seis escolas com ensino secundário, deu-se a conhecer o projeto à direção de cada escola e escolheram-se professores interlocutores em cada estabelecimento de ensino e alguns jovens responsáveis gerais da Missão, com a missão de coordenar a missão, dinamizar a comunicação e fazer ligação aos restantes jovens da vigararia.
Com esses jovens responsáveis gerais, estabelecemos o plano de preparação da Missão, abrimos inscrições a todos os interessados em participar na Missão e realizámos dois encontros prévios, a 11 outubro e 24 outubro. Nesses encontros demos a conhecer o projeto da Missão QSND, com nome inspirado no episódio do Evangelho da Missa de encerramento da Missão (no dia 9 novembro, dia da festa da dedicação da Basílica de São João de Latrão). A Missão ganhou o nome “Que Sinal Nos Dás” a partir da pergunta que os judeus colocam a Jesus, quando Ele vai ao Templo e expulsa os vendilhões com aquele gesto profético e cheio de autoridade. Essa é também a questão que colocam tantas vezes aos cristãos hoje: “que sinal nos dás” para acreditarmos em Deus, em Jesus, na Igreja? A resposta de Jesus aponta para o grande sinal que é o novo Templo, o próprio Jesus ressuscitado, morada de Deus. E S. Paulo recorda-nos que cada um de nós, pelo Batismo, também é Templo de Deus. A Palavra de Deus enche-nos desta esperança que não engana e é o grande sinal que podemos dar a quem nos coloca a mesma questão!
Nos encontros pré-missão compusemos ainda uma oração dos missionários, planeámos as atividades gerais da semana e representámos alguns sketches engraçados sobre como fazer ou não fazer missão. Além disso, demos início a trabalhos por grupos de escola e revelámos o logótipo da Missão, os marcadores com a divulgação das atividades e a t-shirt da missão, que os jovens foram convidados a vestir ao longo da semana.
Demos início formal à Missão QSND com a entrega da t-shirt na Missa de dia 1 novembro, dia de Todos os Santos, na paróquia da Malveira. Nessa celebração presidida por D. Nuno Isidro Cordeiro, fomos enviados para as escolas para dar a cara, o corpo, o coração e as mãos em nome de Jesus. Apesar da timidez e dos medos dos jovens, em várias escolas decorreram diversas atividades da Missão - angariações de comida e brinquedos, testemunhos, visitas a lares e associações humanitárias. Porém, em algumas escolas os nossos jovens ainda sentiram a dificuldade de fazer a missão pelo aparente desinteresse de outros jovens, embora saibamos que nos cabe lançar a semente, mesmo que não vejamos imediatamente os frutos. A verdade é que vimos muitos sinais e provas de Deus ao longo destes dias, que nos mantêm "conectados ao Céu". Descobrimos como esses sinais estão dentro de nós e na nossa escola (FIND IN), estão fora no testemunho cristão dos outros (FIND OUT, na Casa da Juventude), estão na música que precisamos de ouvir melhor (LISTEN UP, um concerto com o Luís Roquette na Casa da Música) e nos lugares a que podemos subir para ver mais alto (GO HIGHER, peregrinos desde Ribeira d’Ilhas até à Ericeira), nos gestos concretos que fazemos (GESTO PELA PAZ, na Praia dos Pescadores na Ericeira) e sobretudo em cada Missa, onde encontramos Jesus vivo (PRAY MORE, na Missa das Caldas da Rainha). Assim percebemos que cada um de nós também é sempre SINAL DE DEUS, com uma alegria que contagia e atrai a todos!
Agradeço a todos os jovens missionários e benfeitores que apoiaram esta missão e deixo uma pergunta: E se esta missão não fosse só uma semana, mas a vida toda?
Termino com referência ao Gesto pela Paz que nos renova na Esperança: adiado duas vezes, este gesto envolveu muitos voluntários da nossa freguesia, entre o pintor Marcelo, os músicos do Projecto Bug, as autoridades, os voluntários que montaram o andaime, os que deram a tela, os que nela quiseram deixar marca, os que ajudaram a lavar as mãos da tinta, os pequeninos e os idosos que escreveram mensagens de paz, etc. Com crentes e não-crentes, católicos e evangélicos, mais novos e mais velhos, naturais da Ericeira ou de fora, tantos quiseram deixar a sua mão no mural afixado na muralha da Praia dos Pescadores, com a frase «todos no mesmo barco», afirmando «tu és ca’paz» e dando este sinal de empenho pela paz. Com gestos congregadores como este, há motivos de esperança!
Vem aí o período do Advento e do Natal. Aproveitemos esta boa onda para levar a Esperança a todos!
Um abraço amigo do Padre Tiago