«Não eu, mas Deus!»
Queridos amigos, neste mês de setembro o Papa Leão canonizou São Carlo Acutis, “o influencer de Deus”. A história deste jovem santo é simples e ao mesmo tempo extraordinária.
Nasceu a 3 maio de 1991 em Londres, filho de pais italianos Antonia e Andrea, de família abastada. Embora os seus pais não fossem praticantes, foi baptizado com poucos dias em Londres, tendo os avós como padrinhos. A família regressou poucos meses depois a Itália e instalaram-se em Milão em setembro de 1991. Era filho único, tendo os pais o apoio de uma jovem ama polaca, chamada Beata, para cuidar do pequeno Carlo. Foi com ela que o menino Carlo aprendeu as primeiras orações simples, bem como a devoção a Nossa Senhora e à Eucaristia e a admiração pelo Papa João Paulo II. Depois, Carlo frequentou a escola primária no Instituto Tommaseo, administrado pelas Irmãs de Santa Marcelina. Manifestava um profundo desejo pela Eucaristia, de tal forma que os seus pais acabaram por o levar a receber sua Primeira Comunhão em Junho de 1998, aos sete anos de idade, no Mosteiro das Eremitas Ambrosianas, em Bernaga di Perego (Lecco), com autorização especial do pároco P. Aldo Locatelli da sua paróquia de Santa Maria Segreta em Milão.
Para surpresa dos seus pais, o menino Carlo pediu para voltar à Missa no dia seguinte, para receber a segunda comunhão. E depois quis voltar no dia seguinte, para receber a terceira comunhão. E quis voltar no dia seguinte, para fazer a quarta comunhão... Desde então, ia todos os dias à Missa e procurava a companhia de Jesus no sacrário. Mais tarde, ele dizia: “A Eucaristia é a minha auto-estrada para o Céu. Como ao sol nos bronzeamos, ao estar diante de Jesus na Eucaristia nos santificamos”. Os pais delegaram muitas vezes a tarefa de acompanhar o menino Carlo à Missa a um dos empregados da casa desde 1995, um homem hindu, nascido nas Ilhas Maurícias, chamado Rajesh Mohur, que acabaria por pedir o baptismo em 1999 ao ver e ouvir como o menino Carlo falava da Eucaristia e o ensinava a rezar o Terço e a visitar a igreja. De facto, o menino Carlo desde pequeno procurava estar “sempre unido a Jesus”, lendo livros ou vendo filmes sobre vidas de santos, embora fosse ao mesmo tempo uma criança com os interesses comuns a todas as crianças: era desportista, jogava futebol e PlayStation e tinha jeito para o computador, gostava de chocolates e doces, era um aluno normal e fazia os trabalhos de casa da escola, vestia calças de ganga e tocava saxofone.
O caminho para a escola também era especial: o menino Carlo gostava de cumprimentar as pessoas sem-abrigo que encontrava e conhecia-as pelo nome e partilhava comida com eles. Na escola, contava aos amigos histórias de Jesus e os milagres eucarísticos e foi percebendo que a internet poderia ser um veículo para a transmissão da fé. Incentivado pelo seu pároco, Carlo começou a ajudar a dar catequese cedo, com 12 anos, tendo feito um site para a paróquia. Pela mesma altura, percebeu a urgência de dar a conhecer os muitos milagres eucarísticos reconhecidos pela Igreja ao longo da história, que nos ajudam à fé na Presença Real de Jesus. Foi nesse contexto que o jovem Carlo convenceu os pais a visitar vários lugares desses milagres, tendo vindo também visitar Portugal em abril de 2006, para conhecer a igreja do Santíssimo Milagre em Santarém e o Santuário de Fátima. Ao longo desse tempo, o jovem Carlo gastava muito tempo a preparar uma exposição sobre os milagres eucarísticos, que veio a ser inaugurada em outubro de 2006. Precisamente nesses dias, Carlo ficou doente e foi-lhe diagnosticada uma leucemia fulminante. No hospital, embora tivesse dores e soubesse que estaria para breve a sua morte, não queria incomodar e tudo oferecia pelo Papa e pela Igreja, dizendo que em breve iria estar com Jesus e que, por isso, a morte não era motivo de tristeza: «A tristeza é olhar para si mesmo, a felicidade é olhar para Deus.» Dizia também que «todos nascem como originais, mas muitos morrem como fotocópias». Ele morreu no dia 12 outubro 2006 com apenas 15 anos e no seu funeral estiveram muitos amigos. Mais tarde, em 2019, correspondendo ao seu desejo, foi trasladado o corpo incorrupto para Assis, onde permanece sepultado.
Durante estes anos, a evangelização de Carlo continuou a dar frutos e foi crescendo a sua fama de santidade, tendo sido aberta a causa de beatificação. O Papa Francisco reconheceu as virtudes heroicas e após o reconhecimento de um primeiro milagre, a sua beatificação aconteceu em 2020. Finalmente, em 2022, uma jovem da Costa Rica chamada Valéria, residente em Itália, teve um grave acidente de bicicleta e ficou em coma, em estado crítico e sem qualquer esperança de recuperação. Os médicos tinham informado a sua mãe deste diagnóstico terrível e ela resolveu rezar e pedir a intercessão de Carlo. Nos dias seguintes, de modo inexplicável cientificamente, Valéria recuperou do coma e ao fim de uns dias já tinha até recuperado a mobilidade. Com este segundo milagre, a Igreja finalmente reconheceu a santidade de Carlo Acutis.
Com a canonização de Carlo Acutis, a Igreja reconhece que este jovem é um modelo de vida para os nossos dias e que a santidade é mesmo uma meta ao alcance de cada um, na medida em que buscamos a vontade de Deus em tudo, como Carlo Acutis dizia: “não eu, mas Deus”.
Com S. Carlo Acutis, seguimos cinco conselhos para a santidade. Vamos a isso?
1) Eucaristia e Adoração diária
2) Confissão frequente
3) Oração diária do Rosário
4) Caridade em tudo o que fazemos
5) Apostolado com todos
Está aqui um simples programa de vida feliz que nos enche de esperança!
Em outubro retomamos o ritmo paroquial, com a festa da catequese a 5 outubro e depois teremos o Jubileu Paroquial no fim-de-semana de 25-26 outubro.
Contamos convosco!
Um abraço amigo do Padre Tiago