22 de agosto de 2026

Nossa Senhora da Boa Viagem, livrai-nos dos enjoos!    Queridos Amigos, 

Ao terminarem os dias das festas em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, Padroeira dos Pescadores, partilho convosco como estou cansado, mas muito contente e grato a Nossa Senhora. Foram dias intensos, com visitas da imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem a várias instituições e lares durante a manhã, trabalho na igreja com confissões e Missa de tarde, e ainda serviço no largo das Ribas durante a animação da noite. Assim pude acompanhar a extraordinária dedicação dos membros da Comissão de Festas – não foram só estes dias da festa, mas todo o trabalho voluntário de 10 meses! –, da equipa Avé Maria Puríssima (para a preparação das magníficas Procissões), da equipa dos fantásticos Tapetes de areia e sal e de muitos outros voluntários. Obrigado! Pude ver ainda o espanto e a piedade de muitos visitantes ao entrar na Capelinha tão bem decorada e a alegria e boa disposição de muitos jovens e famílias, tendo tido oportunidade de marcar batizados e casamentos e de contar, entre uma bifana ou outra bebida que ia servindo no bar, tanto que Nossa Senhora faz por nós. 
Na tradicional procissão de velas até ao mar, presidida desta vez pelo Pe. Jacinto, embarcámos com a imagem de Nossa Senhora e de São Pedro nos barcos do Toni e do Refilão, respetivamente. Admito que a ondulação do mar foi despertando em alguns de nós um certo enjoo. Sim, talvez eu também tenha ficado um bocadinho “mareado”... mas isso acabou por dar corpo à pregação este ano. Na verdade, tendo Nossa Senhora o Menino Jesus no colo e o barco – imagem da Igreja – no outro colo, podemos reconhecer que, em certo sentido, às vezes andamos “enjoados” na Igreja ou com a Igreja. 

O que provoca esse enjoo? Para alguns poderá ser uma desilusão com Deus, por alguma tribulação ou sofrimento, ou uma zanga com o ensino e a moral da Igreja; para outros, poderá ser alguma relação pessoal difícil ou ferida com um padre ou com alguns membros da comunidade; para outros ainda, poderá ser uma incompreensão quanto ao significado e importância da Missa e de outras formas comunitárias de celebração da fé. Seja qual for a circunstância do enjoo, é tempo de ultrapassar essa má disposição. A solução não é saltar fora do barco nem afastar-se da Igreja! A solução é contar com a ajuda de Nossa Senhora da Boa Viagem, nossa Mãe, que aponta sempre para Jesus e para a Igreja e lembra-nos que devemos fazer «tudo o que Ele nos disser» e que estamos «todos no mesmo barco». 

Antes das festas de agosto, tive oportunidade de participar no Encontro Internacional das Equipas de Jovens de Nossa Senhora (EJNS), em Paris, entre 27 julho e 2 agosto, enquanto padre assistente do Secretariado Internacional deste movimento católico, que festeja os seus 50 anos de fundação. Quando tinha 18 anos, entrei para as EJNS em Lisboa e foi aí que descobri como poderia ser um jovem católico comprometido e ao mesmo tempo estar no meio da faculdade e no meio do mundo, dando testemunho de fé. Foi nas EJNS que descobri a beleza e a universalidade da Igreja, com grandes amigos mais perto e também outros de países e culturas diferentes, que fui conhecendo nos diversos Encontros Internacionais. Foi ainda num Encontro Nacional das EJNS que descobri a vocação a entrar para o Seminário. Com tão grande dívida de gratidão ao movimento, já ordenado padre, aceitei ser o assistente do Secretariado da Expansão entre 2016 e 2023, sendo agora o assistente do nosso recém-criado Secretariado das EJNS da Ericeira. Confesso que tive de lutar contra a tentação da vaidade (!) pela nomeação para Assistente Internacional, mas aceitei com sentido de missão. O Movimento desde há 50 anos está presente em vários países e atualmente tem uma jovem responsável luso-americana, residente na Califórnia. 

Desde janeiro, preparámos este encontro com o tema «Eis a Tua Mãe», a partir da frase de Jesus dirigida ao apóstolo João, junto à cruz. Escolhemos esta frase por ter sido uma interpelação direta do Papa Francisco aquando da audiência concedida às EJNS no Encontro internacional de Roma de 2022. A partir daí, quisemos conhecer melhor a nossa Mãe, aproveitando a refletir sobre os quatro dogmas marianos proclamados pela Igreja ao longo dos anos: a maternidade divina de Nossa Senhora (em 431), a Sua Imaculada Conceição (em 1854), a Sua Virgindade perpétua (em 649) e a Sua Assunção ao Céu em corpo e alma (em 1950). Seguindo o carisma do movimento, todos os dias tivemos uma catequese sobre um dogma, um testemunho de vida prático de um jovem relacionado com essa verdade de fé, momentos de partilha em equipas mistas de várias nacionalidades e propostas de oração e Missa, além de jogos, momentos culturais e muito boa disposição. Conhecemos a fundadora Christine d’Ammonville, que veio contar-nos a história da sua vida e como estava longe de imaginar que a sua iniciativa, aos 21 anos, iria dar tantos frutos. Tivemos igualmente oportunidade de visitar Paris e o lugar das aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, a quem Ela pediu que se cunhasse a Medalha Milagrosa. Visitámos também a restaurada Catedral de Notre-Dame, onde celebrámos a Missa do Jubileu dos 50 anos das EJNS no dia 1 de agosto. Dessa celebração, recordo as palavras do Bispo Matthieu Rougé na homilia: «Certamente lembrar-se-ão do terrível incêndio aqui há uns anos atrás – o fogo que chocou todo o mundo. E agora, em apenas uns poucos anos, esta enorme catedral foi reparada, reconstruída e limpa e tornou-se ainda mais magnífica. A Catedral tornou-se uma parábola da morte e ressurreição, uma escola de vida para todos nós. Podemos encontrar desafios, dúvidas e quedas na nossa vida. Mas se perseverarmos na fé, tudo pode recomeçar e tornar-se-á ainda mais belo. (…) Maria ensina-nos a permanecer firmes apesar das tribulações, junto de Jesus». 

Muito mais haveria para contar, mas agora já estamos de partida para as festas de Fonte Boa dos Nabos e para a Missão aMar em Porto Belo, a antiga «Nova Ericeira» brasileira, de 24 agosto até 5 setembro. Na próxima edição, espero contar-vos esta grande aventura, que tem despertado tanto entusiasmo cá e lá.
Nossa Senhora da Boa Viagem, rogai por nós.

Deus vos abençoe!  
Um abraço amigo do padre Tiago