22 de julho de 2026

Tantas coincidências não podem ser coincidência

Queridos Amigos, 

O último mês foi muito intenso, entre o Mundial de Futebol e os Campos de Férias de Pedras Rolantes (na Praia das Maçãs), Seixos (no Olho Marinho, Óbidos), Pulgas (perto de Vendas Novas e do Couço) e a Festa de São Pedro aqui na Ericeira. Nestas semanas, ao mesmo tempo fomos acompanhando à distância a odisseia dos quatro jovens nossos paroquianos que foram até aos Estados Unidos, onde embarcaram no navio-escola Sagres desde Nova Iorque até Boston. Aí visitaram a comunidade portuguesa de Gloucester, dedicada a Our Lady of the Good Voyage, a quem ofereceram uma imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, precisamente no Domingo do Mar (dia 12 julho). Tantas coincidências não podem ser coincidência.

Gostava de destacar três episódios nos campos que revelam a Providência de Deus nestes dias e que nos fazem acreditar que «tantas coincidências não podem ser coincidência». 

No campo de Pedras Rolantes, com o tema «Vai e reconstrói a Minha Igreja», no último dia, pedi aos nossos adolescentes que encontrassem uma pedra para uma dinâmica de oração. No meio do bosque, uma das meninas encontrou uma pedra pesadíssima e trouxe-a até nós com uma incrível facilidade. Compreendemos como essa pedra, tosca e imperfeita, tem um potencial imenso e cada um de nós é uma pedra viva da Igreja. De facto, cada um, com os seus dons, é uma pedra preciosa. Depois de uma semana tão animada, os nossos adolescentes apresentaram um espetacular teatro aos pais no arraial de S. Pedro, no largo da igreja. Tantas coincidências não podem ser coincidência. 

No campo de Seixos, com 25 jovens em missão, estivemos durante uma semana a reconstruir a paróquia do olho Marinho, servindo no Centro Social com crianças e idosos, nas visitas porta-a-porta, na comunidade terapêutica “A minha casa” e nos trabalhos comunitários de pinturas, com apoio da junta de freguesia local. Logo no primeiro dia, cruzámo-nos com uns miúdos de bicicleta e convidámo-los para se juntarem nas nossas atividades. Não mostraram interesse e nos dias seguintes não participaram nas Missas, nem no encontro com o influencer padre Pedro, nem nos jogos de futebol com os utentes da instituição. No último dia, pouco antes da Missa, incentivei mais uma vez os nossos jovens a convidar os miúdos. Dois dos miúdos mostraram interesse, mas perante a falta de vontade dos outros, acabaram por não aceitar o convite. Já durante a Missa, celebrada na igreja de porta aberta, pedi a Deus que algum dos miúdos pudesse entrar na igreja. Poucos instantes depois, estávamos a cantar a música de ação de graças a seguir à Comunhão quando, de repente, um dos miúdos começa ao longe a dirigir-se de bicicleta em direção à igreja, deixa a bicicleta à porta e entra na igreja! Todos os nossos jovens começaram a festejar e o miúdo ficou connosco até ao fim. Ali compreendemos a força da oração, que é a chave da missão! Tantas coincidências não podem ser coincidência. 

Já no acampamento de Pulgas, com crianças dos 10 aos 12 anos, com o tema «Eis me aqui», tivemos oportunidade de rezar em cada dia com algum santo de referência. Num dos dias, o tema era o nosso Anjo da Guarda. No dia seguinte, visitámos o Mosteiro de clausura de Nossa Senhora do Rosário, das Monjas de Belém. As crianças dormiram lá perto nessa noite ao relento e o plano passava por eu ir ter com eles na manhã seguinte, muito cedo. É uma zona de estrada de terra batida, com uma paisagem muito seca e com pouca rede de telemóvel. Escrevi o endereço no Google Maps e quando o mapa já indicava que estava próximo do mosteiro, tive de parar o carro diante de um portão fechado com cadeado, que me impedia de prosseguir o caminho. Nessa mesma altura, fiquei sem rede no telemóvel. Não tinha como passar nem havia quem me pudesse ajudar ali à volta. Voltei para trás em busca de alguma solução e encontrei ali perto uma quinta com a porta aberta. Entrei e encontrei um senhor idoso, já acordado, a quem pedi ajuda. Ele lá me deu indicações sobre como chegar de carro ao Mosteiro - «pois, vai ter de dar a volta, mas é perto, são uns 30 minutos de carro…» - e despedi-me agradecendo e perguntando o seu nome. Ele disse-me que era o senhor Custódio. Sim, Custódio é o outro nome que damos aos Anjos da Guarda. Foi incrível e fui agradecendo este anjo da Guarda o resto do caminho até chegar ao Mosteiro! Tantas coincidências não podem ser coincidência.

Finalmente, permitam-me também fazer referência ao Mundial de Futebol. Houve vários testemunhos de fé marcantes ao longo do Mundial. No final do jogo Alemanha-Curação, após a vitória por 7-1, os jogadores alemães Félix Nmecha e Tah viram os jogadores cristãos de Curaçao a rezar e juntaram-se numa roda que unia vencedores e derrotados, unidos na mesma fé cristã. O extremo belga Jérémy Doku, habituado a fazer tantos passes para golo, veio lembrar que há algo mais importante do que o futebol, quando deixou a concentração da seleção para estar junto da família no momento do nascimento do primeiro filho. Nessa altura, escreveu nas redes sociais que tinha feito «a melhor assistência da vida»! O nosso Cristiano Ronaldo, depois de marcar dois golos ao Uzbequistão, lembrou que «a quem trabalha, Deus ajuda». Lionel Messi, com tatuagem de Jesus no seu corpo, carregou a Argentina até à final e disse à imprensa: «Não podemos pedir mais nada, depois de tudo o que passamos, jogar outra final. Deus é grande e sempre tem algo a mais, mas a verdade é que não posso pedir mais nada. Sou grato por tudo o que Ele me deu, no desporto, na minha vida pessoal e, como sempre, para não ser redundante, que seja feita a vontade de Deus». Também o selecionador espanhol Luís de la Fuente é católico praticante e não esconde a sua fé nos fracassos e nas vitórias. Depois de uma carreira discreta como jogador e treinador em equipas de divisões menores, começou a treinar a seleção espanhola nos escalões de formação e veio a ser escolhido para selecionador da equipa principal em 2021, com tremendo sucesso desde então e agora campeão do mundo. Já o avançado Ferran Torres, autor do único golo na final do Mundial, joga sempre com a cruz ao peito e a medalha da Virgem Maria. 

No meio dos estádios de futebol, ou no meio dos campos de férias, ou no meio das praias, onde estivermos, é tempo de dar a conhecer e partilhar a nossa fé cristã. Vamos ter as festas de Nossa Senhora da Boa Viagem, de 7 a 16 agosto aqui na Ericeira, com organização da querida Comissão de Festas e da Equipa Avé Maria Puríssima e apoio de tantos benfeitores e voluntários. Depois teremos as festas de Fonte Boa dos Nabos de 21 a 23 agosto. Logo a seguir, a 24 agosto partimos com um grupo de 20 jovens missionários da Ericeira até Porto Belo, Nova Ericeira, no Brasil, onde há 200 anos estiveram tantos jagozes, enviados pelo Rei D. João VI em missão. Agora é a nossa vez, Missão aMar!       

Tantas coincidências não podem ser coincidência.

Deus vos abençoe!  
Um abraço amigo do padre Tiago