20 de maio de 2026

 Por Maria chegamos a Jesus 


Queridos Amigos, 

Neste mês de maio, mês de Maria, quero destacar alguns acontecimentos pessoais, paroquiais e da nossa comunidade. Entre a ida a Campo Maior, a Peregrinação a Fátima a pé, a visita do nosso Patriarca para a bênção e inauguração do novo Lar de Nossa Senhora da Misericórdia e a oração do Terço vivo na Praia dos Pescadores, muito temos de agradecer ao Bom Deus e a Nossa Senhora, que sempre nos leva a Jesus. E a melhor forma de agradecer é pedir mais! 

Na manhã de sábado, dia 9, fui até ao Convento das Irmãs Concepcionistas em Campo Maior assistir à Missa e tomada de hábito da irmã Matilde. Acompanhei-a desde 2017, quando nos conhecemos numa peregrinação a Santiago de Compostela, organizada pelas Equipas de Jovens de Nossa Senhora, em que ela me pediu para ser o seu diretor espiritual. Desde então, conversámos todos os meses sobre a sua relação com Deus, com a família e os amigos, sobre as paixonetas, sobre os estudos ou o trabalho, sobre os seus sonhos e projectos e sobre a vocação. Durante vários anos, com dúvidas e certezas, a jovem Matilde veio muitas vezes aqui à Ericeira e foi arriscando deixar Deus ser Deus. «Deus pede tudo, mas não pede tudo de uma vez», sabia ela. E assim ela foi crescendo na intimidade com Jesus, servindo na Jornada Mundial da Juventude de Lisboa 2023 e fazendo duas experiências monásticas até arriscar entrar no Mosteiro de Campo Maior, em setembro de 2024. Após um ano e meio, passou de aspirante a noviça. A celebração foi comovente, com o momento arrepiante do corte de cabelo e tomada de hábito, enquanto se cantava «Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade». No final, a irmã Matilde Maria do Coração Sacerdotal de Jesus tomou a palavra para nos dizer que antes gostava muito de estar cá fora no meio do mundo, mas que é monja de clausura por amor a Jesus e por amor a todos nós, a quem ama e serve pela oração, como “mãe de toda a humanidade”. Diante do mistério da vocação de clausura, impressiona-nos a sua alegria e a sua paz, sinal de que encontrou o seu lugar, seguindo com Maria os passos de Jesus! 

No mesmo dia 9, demos início à peregrinação, partindo da Ericeira, na ermida de S. Sebastião. Ao longo de quatro dias, até 12 maio, os nossos 92 peregrinos andaram até ao Vimeiro, depois Óbidos, a seguir Alcobaça e finalmente Fátima, sempre tão bem acompanhados pelos fantásticos voluntários nos carros de apoio e por tantos aqui ajudando na logística das refeições. Entre a madrugada e o dia, entre a chuva e o sol, no campo ou na estrada, foi muito comovente ver as setas azuis com o ouriço da Ericeira a apontar o caminho a seguir, num trabalho silencioso e cheio de amor da equipa organizadora, que nos fez compreender que esta peregrinação já tinha começado muito antes de nós darmos estes passos. Nestes dias de caminho, ouvimos o apelo à conversão que Nossa Senhora nos fez em Fátima e percebemos que podemos dar mais, aprendendo com o exemplo de S. Francisco de Assis a viver a fraternidade (sem deixar nenhuma ovelhinha para trás pelo caminho!), a pobreza (Deus tudo providencia e nada nos falta!), a obediência (mesmo quando é difícil obedecer e confiar em Deus e na Igreja, como ouvimos naquela capela em Alfeizerão, que tinha um crucifixo de S. Damião) e a castidade (como Jesus nos veio ensinar a amar). Não seríamos capazes de fazer este caminho sozinhos e descobrimos aqui uma analogia para a nossa vida de fé, pois precisamos de caminhar em comunidade, em Igreja, com os nossos irmãos, seguindo as pegadas e os passos que outros deram antes de nós, atentos aos sinais que nos apontam na direção certa. Porém, é comum ouvir-se «eu cá tenho a minha fé, eu cá faço o meu caminho». Se assumíssemos essas palavras literalmente, se cada peregrino seguisse o seu próprio caminho individual, haveria muitos perigos: o perigo de se perder sem orientação, o perigo de ataques de animais ou assaltantes, o perigo do cansaço sem encontrar estalagens de repouso, o perigo da solidão e do desânimo e o desamparo por nenhum outro fazer esse mesmo caminho, o perigo dos buracos na estrada, etc. O caminho em Igreja é mais seguro e “tem dois mil anos de garantia”. A imagem do Jorginho a carregar o João às cavalitas ou a imagem da chegada de todos ao santuário, de mãos dadas, fazendo “auto-contagem” junto de Maria, inspiram-nos a viver a fé assim, nesta Igreja de Jesus sempre em reconstrução, com todos nós!         

No regresso de Fátima, tivemos a alegria de festejar a Espiga com a bênção do novo lar de Nossa Senhora da Misericórdia, na visita do Patriarca Dom Rui Valério. No final da celebração da Missa, o Provedor João Pedro Gil tomou a palavra para destacar o papel fundamental de Nossa Senhora nesta obra, mostrando um bonito quadro de Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo, que sempre esteve junto de si no escritório, acompanhando os seus trabalhos, especialmente depois de ter sobrevivido a uma cirurgia quase mortal. O Provedor contou como aprendeu a pedir mais e mais a Nossa Senhora. E contou como muitas graças foram recebidas ao longo destes anos, tornando possível o financiamento e a edificação deste novo Lar, tão necessário para a nossa comunidade. Dizia ainda: «Pedir tudo, para tudo podermos dar a todos os que mais precisam. Nada para nós, Senhor, tudo pela glória do Vosso Nome. Do fundo do coração, volto a pedir: Minha Senhora e Mãe, Nossa Senhora da Misericórdia, rogai por nós todos, agora e na hora da nossa morte. Amen.» Parabéns à Santa Casa da Misericórdia da Ericeira!     

Por fim, tivemos a oração do Terço vivo na Praia dos Pescadores, juntando crianças, jovens e famílias no Dia Internacional da Família (15 maio). Com o desenho da Sagrada Família iluminando a praia com os garrafões, a imagem de Nossa Senhora desceu a rampa em procissão e cantámos e rezámos o Terço, pedindo pelas famílias e contemplando o lugar de cada um na família, como mães e esposas, pais e maridos, filhos e irmãos, avós e netos, tios e primos, bem como toda a Igreja formando uma única grande Família. No final, houve um tempo de silêncio, com a brisa suave a encher-nos do Espírito Santo. Nessa altura, pude recordar um famoso e surpreendente discurso do antigo Presidente dos Estados Unidos da América, Ronald Reagan, ao visitar a Assembleia da República em 1985: «nas orações de pessoas simples em todo o mundo, pessoas simples como os pastorinhos de Fátima, reside mais poder do que em todos os grandes exércitos e estadistas do mundo». Sim, continuemos a rezar o Terço todos os dias e seremos capazes de alcançar a paz para as famílias e para o mundo inteiro! 

O texto já vai longo e temos de terminar para imprimir o jornal… Nas próximas semanas teremos a II Jornada Eucarística (4 junho) e as Festas de Santos Populares no largo da igreja! Podemos contar convosco? 

Deus vos abençoe.  

Um abraço amigo do padre Tiago