Das muitas recordações que tenho do querido Padre Armindo, lembro-me particularmente de uma visita que fizemos ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa.
Por vontade expressa do Padre Armindo, organizou-se uma peregrinação da Paróquia a Vila Viçosa e lá fomos, no dia 5 de maio de 2016, dia da Ascensão do Senhor, que, como se sabe, tem uma importância muito grande para os “jagozes" e também já para outros residentes da Ericeira, que adoptaram a tradição do “dia da espiga".
Saímos cedo e chegados lá, dirigimo-nos à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, dentro dos muros do castelo. Aí, o Padre Armindo celebrou a Eucaristia, acolitado pelos Srs. Abílio e Pacheco. Foi uma missa muito vivida e o nosso querido Padre Armindo manifestou a sua alegria de estar ali em comunidade paroquial.
Depois da Missa, visitámos o cemitério, onde observámos, logo à entrada, o túmulo da poetisa Florbela Espanca. Depois, passeámos pela vila e almoçámos num restaurante muito simpático, dentro do jardim.
Foi um dia muito agradável, em que convivemos, rezámos, e caminhámos juntos.
Quando hoje, e a propósito da caminhada sinodal que está a acontecer, nos é proposto que cresçamos juntos na fé, foi sempre uma grande preocupação e um desígnio do Padre Armindo que isso acontecesse, não só entre grupos na paróquia, mas também com os outros paroquianos ou habitantes da Ericeira e com os que nos visitam.
Tratando-se de uma pessoa muitíssimo culta, era encantador ver como estabelecia relações de proximidade com toda a gente, desde as mais simples até às mais sofisticadas. Os pescadores foram sempre um grupo por quem tinha muita ternura, a quem convidava para estarem presentes nos acontecimentos da paróquia, nas peregrinações e até na celebração do seu aniversário. Por sua vez, também os pescadores sentiam um grande carinho pelo Padre Armindo e era notória a alegria que sentiam com a sua presença.
O querido Padre Armindo deixou-nos um grande testemunho de comunhão, que nos compete agora a nós continuar. Devemos-lhe isso!
Clotilde Côco