O cardeal-patriarca de Lisboa afirmou que a sociedade tem de estar habilitada para “acompanhar cada um dos seus membros” em “fases mais complexas” da vida e afirmou que “há tanto para fazer” no “campo dos cuidados paliativos”.
No decorrer da conferência “A Eutanásia e a Cultura do Cuidado”, promovida pela Universidade Católica Portuguesa no dia 23 de abril, D. Manuel Clemente referiu que “o que está em causa é a vida” e que debater a questão da eutanásia é obrigatório para que as pessoas tomem “consciência” do debate em curso.
As palavras do cardeal-patriarca vêm num tempo em que a Assembleia da República deverá debater projetos legislativos de legalização da eutanásia, a partir de projetos legislativos do PAN, do Bloco de Esquerda, os Verdes e também do PS.
“O que está em causa é a vida, a promoção da vida e defesa da vida, com respeito por cada um, mas habilitando respostas capazes que passam sobretudo por uma sociedade que seja capaz de acompanhar cada um dos seus membros, especialmente nas alturas difíceis, prevenir desesperos, estarmos lá”, sublinhou D. Manuel Clemente.
Questionado pela Rádio Renascença sobre o silêncio do presidente da República em relação ao debate sobre a legalização da eutanásia em Portugal, D. Manuel Clemente respondeu dizendo que “Nem preciso de fazer esse apelo porque o Presidente da República tem-se mostrado sempre muito consciente das suas responsabilidades e por isso não deixará de as exercer, não é preciso sequer apelar. Quando for o caso, com certeza que tomará as suas responsabilidades”.