QUARESMA - ROTEIRO ATÉ À PÁSCOA DE 2024
10 de fevereiro de 2024

QUARESMA - ROTEIRO ATÉ À PÁSCOA DE 2024

FELIZ ÉS TU PORQUE ACREDITASTE

Queridos amigos, 

Vivemos tempos tão intensos. Entre as terríveis guerras que alastram na Ucrânia e no Médio Oriente e a agitação política nacional (com eleições a 10 de março), entre o cansaço e o desânimo com o ritmo acelerado em que vivemos e a dispersão e incapacidade de resposta diante tantas solicitações, reconhecemos a urgência de parar. 

STOP. A Quaresma é um grande sinal de STOP. Começa com a Missa de 4.ª Feira de Cinzas e com este gesto simbólico de receber as cinzas na cabeça, lembrando a nossa vulnerabilidade e a nossa condição mortal. 

Este período litúrgico vem lembrar-nos de que «este é o tempo favorável» para uma revisão de vida. É uma oportunidade para reconhecermos onde estamos e para onde queremos ir, ou melhor, para onde Deus nos quer encaminhar. A nossa conversão pessoal e comunitária acontece na medida em que nos deixamos salvar e levar ao colo de Deus na oração (que nos ajuda a ver e ouvir melhor), mas também pelo jejum (que nos desperta e abre espaço) e pela esmola (que se concretiza nas obras de caridade). 

Seja cada um ou cada família, seja enquanto comunidade paroquial ou freguesia, seja enquanto país ou o mundo inteiro, todos precisamos de parar e descansar, descobrindo sobretudo na oração ao colo de Deus a nossa força e ouvindo a Sua voz, que nos diz: agora sim, renovado e na Minha companhia, podes recomeçar.  

Neste Caminho Sinodal em Igreja, neste Ano da Oração rumo ao Jubileu de 2025, vai connosco Jesus e vai também Aquela que é feliz porque nEle acreditou: Maria. Assim caminhemos juntos em direção à Páscoa da Ressurreição de Jesus, certos da Sua e nossa vitória e cheios de Esperança. Santa Quaresma e que Deus nos abençoe!

Um abraço amigo do padre Tiago


Proposta para Quarta-Feira de Cinzas:

Faz jejum e abstinência na 4.ª feira de cinzas (mantendo boa cara ) 
Vem à Missa com a comunidade às 9h em Fonte Boa dos Nabos, às 10h15 na Carvoeira ou às 19h na Ericeira, com imposição das cinzas 
Participa na Vigília de Oração desde as 20h de 4.ª feira até às 20h de 5.ª feira
Reza lendo a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2024 (Quaresma 2024: Através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade | Francisco (vatican.va) ou em texto nas páginas seguintes)    Propostas para a Quaresma

Deixamos aqui algumas propostas concretas de oração, jejum e esmola.  

+ oração: reza as Laudes com a comunidade de 2.ª a 6.ª às 8h via Zoom (começa já na 4.ª feira em https://us02web.zoom.us/j/317080312

+ oração: reza a meditação do evangelho todos os dias pelo WhatsApp ou Facebook da paróquia (Qualquer pessoa interessada pode aceder: https://chat.whatsapp.com/LtofLoXJSsH15gHiP5xTPh
+ oração: reza o terço como Nossa Senhora pediu: «Rezem o terço, todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra»

+ oração: vem à Missa diária (ou com mais frequência) e adora o Santíssimo Sacramento às 5.ªs (matriz), sábados e Domingos (igreja da misericórdia)

+ oração: reza a Via-Sacra semanal às 6.as feiras às 18h15 na igreja de S. Pedro

+ oração: reza o exame de consciência “Obrigado-Desculpa-Ajuda-me mais, Jesus” e faz propósito de confissão neste tempo da Quaresma (há confissões em todas as paróquias da vigararia)

+ jejum: faz abstinência à 6.ª feira e renuncia por amor a alguma comida ou bebida (doces, por exemplo), para ter mais fome e sede só de Deus (mas não jejues ao Domingo!)

+ jejum: liberta algum tempo das redes sociais a cada dia (e não leves o telemóvel para a cama, por exemplo) para ler algum texto do Papa ou livro de leitura espiritual 10 minutos por dia

+ esmola: apoia o FAROL (trazendo algum bem alimentar para a Missa) 

+ esmola: apoia o FAROL (participando no Gesto missionário no dia 2 março de manhã)   Reserva também as datas seguintes e vem: 

24 fevereiro – Via-Sacra com a Catequese da Ericeira (17h) 

2 março – Vigília da CÁRITAS na igreja de S. Pedro 

15 março – Peregrinação a Fátima de autocarro e via-sacra nos Valinhos (sujeito a confirmação)

16 março – Via-Sacra com a Catequese da Carvoeira (11h) e Vigília com confissões na Basílica de Mafra

20 março – Procissão das 7 Dores de Nossa Senhora até à capela de Santa Marta

23-24 março – Procissão de Domingo de Ramos 

24 março – Procissão do Senhor dos Passos 

28-31 março – Tríduo Pascal – 5.ª Feira Santa, 6.ª Feira Santa, Sábado Santo e Domingo de Páscoa  


MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA A QUARESMA DE 2024

Através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade

Queridos irmãos e irmãs!

Quando o nosso Deus Se revela, comunica liberdade: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão» (Ex 20, 2). Assim inicia o Decálogo dado a Moisés no Monte Sinai. O povo sabe bem de que êxodo Deus está a falar: traz ainda gravada na sua carne a experiência da escravidão. Recebe as «dez palavras» no deserto como caminho de liberdade. Nós chamamos-lhes «mandamentos», fazendo ressaltar a força amorosa com que Deus educa o seu povo; mas, de facto, a chamada para a liberdade constitui um vigoroso apelo. Não se reduz a um mero acontecimento, mas amadurece ao longo dum caminho. Como Israel no deserto tinha ainda dentro de si o Egito (vemo-lo muitas vezes lamentar a falta do passado e murmurar contra o céu e contra Moisés), também hoje o povo de Deus traz dentro de si vínculos opressivos que deve optar por abandonar. Damo-nos conta disto, quando nos falta a esperança e vagueamos na vida como em terra desolada, sem uma terra prometida para a qual tendermos juntos. A Quaresma é o tempo de graça em que o deserto volta a ser – como anuncia o profeta Oseias – o lugar do primeiro amor (cf. Os 2, 16-17). Deus educa o seu povo, para que saia das suas escravidões e experimente a passagem da morte à vida. Como um esposo, atrai-nos novamente a Si e sussurra ao nosso coração palavras de amor.

O êxodo da escravidão para a liberdade não é um caminho abstrato. A fim de ser concreta também a nossa Quaresma, o primeiro passo é querer ver a realidade. Quando o Senhor, da sarça ardente, atraiu Moisés e lhe falou, revelou-Se logo como um Deus que vê e sobretudo escuta: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egito, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar das mãos dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel» (Ex 3, 7-8). Também hoje o grito de tantos irmãos e irmãs oprimidos chega ao céu. Perguntemo-nos: E chega também a nós? Mexe connosco? Comove-nos? Há muitos fatores que nos afastam uns dos outros, negando a fraternidade que originariamente nos une.

Na minha viagem a Lampedusa, à globalização da indiferença contrapus duas perguntas, que se tornam cada vez mais atuais: «Onde estás?» (Gn 3, 9) e «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9). O caminho quaresmal será concreto, se, voltando a ouvir tais perguntas, confessarmos que hoje ainda estamos sob o domínio do Faraó. É um domínio que nos deixa exaustos e insensíveis. É um modelo de crescimento que nos divide e nos rouba o futuro. A terra, o ar e a água estão poluídos por ele, mas as próprias almas acabam contaminadas por tal domínio. De facto, embora a nossa libertação tenha começado com o Batismo, permanece em nós uma inexplicável nostalgia da escravatura. É como uma atração para a segurança das coisas já vistas, em detrimento da liberdade.

Quero apontar-vos, na narração do Êxodo, um detalhe de não pequena importância: é Deus que vê, que Se comove e que liberta, não é Israel que o pede. Com efeito, o Faraó extingue também os sonhos, rouba o céu, faz parecer imutável um mundo onde a dignidade é espezinhada e os vínculos autênticos são negados. Por outras palavras, o Faraó consegue vincular-nos a ele. Perguntemo-nos: Desejo um mundo novo? E estou disposto a desligar-me dos compromissos com o velho? O testemunho de muitos irmãos bispos e dum grande número de agentes de paz e justiça convence-me cada vez mais de que aquilo que é preciso denunciar é um défice de esperança. Trata-se de um impedimento a sonhar, um grito mudo que chega ao céu e comove o coração de Deus. Assemelha-se àquela nostalgia da escravidão que paralisa Israel no deserto, impedindo-o de avançar. O êxodo pode ser interrompido: não se explicaria doutro modo porque é que tendo uma humanidade chegado ao limiar da fraternidade universal e a níveis de progresso científico, técnico, cultural e jurídico capazes de garantir a todos a dignidade, tateie ainda na escuridão das desigualdades e dos conflitos.

Deus não Se cansou de nós. Acolhamos a Quaresma como o tempo forte em que a sua Palavra nos é novamente dirigida: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão» (Ex 20, 2). É tempo de conversão, tempo de liberdade. O próprio Jesus, como recordamos anualmente no primeiro domingo da Quaresma, foi impelido pelo Espírito para o deserto a fim de ser posto à prova na sua liberdade. Durante quarenta dias, tê-Lo-emos diante dos nossos olhos e connosco: é o Filho encarnado. Ao contrário do Faraó, Deus não quer súbditos, mas filhos. O deserto é o espaço onde a nossa liberdade pode amadurecer numa decisão pessoal de não voltar a cair na escravidão. Na Quaresma, encontramos novos critérios de juízo e uma comunidade com a qual avançar por um caminho nunca percorrido.

Isto comporta uma luta: assim no-lo dizem claramente o livro do Êxodo e as tentações de Jesus no deserto. Com efeito, à voz de Deus, que diz «Tu és o meu Filho amado» (Mc 1, 11) e «não haverá para ti outros deuses na minha presença» (Ex 20, 3), contrapõem-se as mentiras do inimigo. Mais temíveis que o Faraó são os ídolos: poderíamos considerá-los como a voz do inimigo dentro de nós. Poder tudo, ser louvado por todos, levar a melhor sobre todos: todo o ser humano sente dentro de si a sedução desta mentira. É uma velha estrada. Assim podemos apegar-nos ao dinheiro, a certos projetos, ideias, objetivos, à nossa posição, a uma tradição, até mesmo a algumas pessoas. Em vez de nos pôr em movimento, paralisar-nos-ão. Em vez de nos fazer encontrar, contrapor-nos-ão. Mas existe uma nova humanidade, o povo dos pequeninos e humildes que não cedeu ao fascínio da mentira. Enquanto os ídolos tornam mudos, cegos, surdos, imóveis aqueles que os servem (cf. Sal 115, 4-8), os pobres em espírito estão imediatamente disponíveis e prontos: uma força silenciosa de bem que cuida e sustenta o mundo.

É tempo de agir e, na Quaresma, agir é também parar: parar em oração, para acolher a Palavra de Deus, e parar como o Samaritano em presença do irmão ferido. O amor de Deus e o do próximo formam um único amor. Não ter outros deuses é parar na presença de Deus, junto da carne do próximo. Por isso, oração, esmola e jejum não são três exercícios independentes, mas um único movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os ídolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam. Então o coração atrofiado e isolado despertará. Para isso há que diminuir a velocidade e parar. Assim a dimensão contemplativa da vida, que a Quaresma nos fará reencontrar, mobilizará novas energias. Na presença de Deus, tornamo-nos irmãs e irmãos, sentimos os outros com nova intensidade: em vez de ameaças e de inimigos encontramos companheiras e companheiros de viagem. Tal é o sonho de Deus, a terra prometida para a qual tendemos, quando saímos da escravidão.

A forma sinodal da Igreja, que estamos a redescobrir e cultivar nestes anos, sugere que a Quaresma seja também tempo de decisões comunitárias, de pequenas e grandes opções contracorrente, capazes de modificar a vida quotidiana das pessoas e a vida de toda uma coletividade: os hábitos nas compras, o cuidado com a criação, a inclusão de quem não é visto ou é desprezado. Convido toda a comunidade cristã a fazer isto: oferecer aos seus fiéis momentos para repensarem os estilos de vida; reservar um tempo para verificarem a sua presença no território e o contributo que oferecem para o tornar melhor. Ai se a penitência cristã fosse como aquela que deixou Jesus triste! Também a nós diz Ele: «Não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam» (Mt 6, 16). Pelo contrário, veja-se a alegria nos rostos, sinta-se o perfume da liberdade, irradie aquele amor que faz novas todas as coisas, a começar das mais pequenas e próximas. Isto pode acontecer em toda a comunidade cristã.

Na medida em que esta Quaresma for de conversão, a humanidade extraviada sentirá um estremeção de criatividade: o lampejar duma nova esperança. Quero dizer-vos, como aos jovens que encontrei em Lisboa no verão passado: «Procurai e arriscai; sim, procurai e arriscai. Neste momento histórico, os desafios são enormes, os gemidos dolorosos: estamos a viver uma terceira guerra mundial feita aos pedaços. Mas abracemos o risco de pensar que não estamos numa agonia, mas num parto; não no fim, mas no início dum grande espetáculo. E é preciso coragem para pensar assim» ( Discurso aos estudantes universitários, 03/VIII/2023). É a coragem da conversão, da saída da escravidão. A fé e a caridade guiam pela mão esta esperança menina. Ensinam-na a caminhar e, ao mesmo tempo, ela puxa-as para a frente. [1]

Abençoo-vos a todos vós e ao vosso caminho quaresmal.

Roma – São João de Latrão, no I Domingo do Advento, 3 de dezembro de 2023.

FRANCISCO