Domingo XXV: «coisas de crianças»
24 de setembro de 2018

No Evangelho deste Domingo, depois de Jesus anunciar a sua futura morte e ressurreição e de os discípulos discutirem entre si sobre quem é o maior, tem outro gesto surpreendente: abraça uma criança – naquele tempo, sem qualquer estatuto social – e coloca-a no centro, como que convidando todos os discípulos a olhar para as crianças e aprender com elas a segui-Lo. Esta página é motivo de credibilidade e realismo do Evangelho, pois os apóstolos saem muito mal nesta fotografia!

Há 3 «coisas de crianças» que podemos imitar e que são totalmente opostas aos gestos dos apóstolos neste trecho do Evangelho:

  • As crianças fazem perguntas, muitas perguntas! E essas perguntas, cheias de lata e espontaneidade, são as perguntas fundamentais na vida: «Porque estamos aqui? Falta muito para acabar? Onde vamos a seguir? Onde é que eu estava antes? Como é Deus?» Todas estas perguntas precisam de ser respondidas e Jesus traz resposta! Mas os apóstolos, mesmo sem compreender o anúncio de Jesus da Sua morte e ressurreição, talvez dominados pelo medo e vergonha, não fizeram perguntas… e nós às vezes fugimos a estas perguntas fundamentais e vivemos ainda superficialmente.
  • As crianças não se gabam de si próprias, mas nas suas conversas próprias de crianças cada uma gaba o seu pai: «o meu pai é mais forte que o teu», «o meu pai deu-me isto», «o meu pai é maior». Tudo é ocasião para gabar o pai, porque estão centradas no pai. Os discípulos, porque ainda centrados sobre si próprios, gabam-se a si mesmos e acabam em contendas, invejas e discussões, porque não estão centrados em Deus Pai. Quando temos Deus Pai no centro, quando gabamos e rendemos «glória a Deus nas alturas», vem logo a «paz aos homens por Ele amados».
  • As crianças com simplicidade abraçam Jesus porque precisam de colo e confiam nEle. As crianças reconhecem a sua pequenez e a sua total dependência dos crescidos, dos pais. Recordam-nos assim que também nós precisamos do colo de Deus, do Seu abraço porque não somos auto-suficientes e só com Deus encontramos sossego;
Vamos imitar as crianças?