O Domingo da Santíssima Trindade é ocasião para voltar a colocar a questão: em que Deus acreditamos?
Se fizessemos um inquérito pelas ruas da nossa Ericeira, muita gente diria que acredita em Deus. «Mas em que Deus?»
Na verdade, a religiosidade natural leva-nos a acreditar «em algo mais», num «Ser Superior», até num «Deus Criador».
Mas para nós, cristãos, Deus não é esse Ser vago! Deus deu-Se a conhecer na nossa história, não ficou quieto mas veio ter connosco, veio habitar no meio de nós (cf. Jo 1,14). Jesus, o Filho de Deus que morreu crucificado e ressuscitou realmente, veio revelar-nos Deus como Seu Pai e nosso Pai, Criador e Misericordioso, a Quem nos podemos dirigir na oração. E Jesus prometeu igualmente enviar-nos o Seu Espírito Santo, Espírito de Amor, Espírito de Deus que habita em nós e sempre conduz a Igreja, com a missão de partir e fazer discípulos de todas as nações, baptizando e ensinando a cumprir o que Jesus nos manda. Este Deus em relação connosco pede-nos também outra relação uns com os outros. Tal exigência choca com a actual tendência para uma relação mais individualista com Deus, «à minha maneira». Como diz tantas vezes o Papa Francisco, precisamos de uma conversão comunitária.
Por muito que nos esforcemos, o Mistério de Deus Pai, Filho e Espírito Santo não nos é totalmente compreensível. Não conseguimos abarcar Deus dentro da nossa limitada inteligência. Alguns, por não compreenderem, não se aproximam deste Mistério e mantêm posição distante. Porém, é preciso anunciar que a nossa incompreensão não é obstáculo ao passo de fé. A nossa inteligência diz-nos que é razoável (isto é, racional!) crer em Deus como Jesus nos apresenta porque o Seu testemunho é digno de credibilidade! Foi esse o grande passo de S. Agostinho, que humildemente aceitou que Deus é maior. Ele deixou Deus ser Deus. E nós?