Domingo XXVIII: «Falta-te uma coisa!»
14 de outubro de 2018

O Evangelho deste XXVIII Domingo do Tempo Comum é o bem conhecido episódio do jovem rico. Ele pergunta a Jesus o que deve fazer para alcançar a vida eterna, isto é, como poderá ser feliz para sempre. Esse é o desejo mais profundo do nosso coração e ainda hoje se revela nos desenhos animados (o feijãozinho mágico no DragonBall), no cinema (Indiana Jones e a Última Cruzada) ou na investigação científica (Elon Musk quer tornar-nos imortais). A resposta de Jesus aponta para os mandamentos e o jovem diz já tudo cumprir. Nessa altura, Jesus diz-lhe o passo decisivo da felicidade: «falta-te uma coisa: vai, vende o que tens e dá o dinheiro aos pobres, depois vem e segue-Me». Nessa altura, o jovem rico vai embora triste.

Este episódio permite tirar 4 pistas fundamentais para a felicidade que todos desejamos:

  • Não nos podemos contentar com uma felicidade a prazo, só para os próximos 10, 30 ou 50 anos. Queremos uma felicidade que não acabe nunca, uma felicidade para sempre! Não queremos trocar o eterno por um instante fugaz aqui.
  • Ninguém é feliz sozinho, por isso Jesus aponta a importância destes mandamentos – na dimensão horizontal da relação com o próximo – para nos lembrar que seremos mais felizes quanto mais buscarmos a felicidade dos outros ao nosso lado. E, na medida inversa, quanto mais buscamos cegamente a felicidade individual (hoje apresentada como “um direito”), mais provocamos a infelicidade dos outros.
  • Jesus lembra também que a felicidade não se compra. Aquele jovem, embora muito rico, não é feliz. E tantos ricos há hoje que também não são felizes! E tantos outros há que, caindo na inveja, julgam que para ser felizes é necessário uma conjugação de factores ideais como possuir muitos bens e muito dinheiro. É a felicidade ilusória do Instagram. Como cantava a Floribela, na verdade «não tenho nada, mas tenho, tenho tudo. Sou rico em sonhos e pobre, pobre em ouro. Mas não importa, pois só por ter dinheiro, não compro amigos, estrelas, amor verdadeiro».
  • Finalmente, Jesus mostra claramente que o caminho da felicidade passa por aceitar o amor infinito que Deus tem para nos dar e dar a Deus o primeiro lugar na nossa vida. Quem a Deus tem, nada lhe falta, já dizia santa Teresa d’Ávila! E juntamente com tudo o que Deus nos dá, vêm também perseguições e incompreensões. Mesmo aí, no campo de concentração ou numa casa pobre ou no meio da doença, como mostram os grandes santos, podemos viver felizes, porque Deus está connosco e só Deus basta.